segunda-feira, 14 de junho de 2010
Operação desastrosa da polícia mata dois moradores da Nova Holanda
O jovem Davison Evangelista Pacheco, de 19 anos, estava dentro de uma barbearia cortando o cabelo quando foi baleado. A outra vítima fatal foi Paulo Cardoso Batalha. Ele também estava na barbearia com o filho, Paulo Gabriel Santana, 5 anos que foi atingido na mão. A criança foi levada para o Hospital Geral de Bonsucesso e já teve alta. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia.
Ainda na sexta-feira, os parentes foram ao 22° Batalhão, que fica ali mesmo na Nova Holanda, mas disseram que não foram recebidos pelo comandante. O corpo de Paulo foi sepultado na tarde de sábado e o de Davison no domingo. Hoje, 14 de junho, os familiares das vítimas foram a Comissão de Direito Humanos e à Defensoria Pública pedir ajuda na investigação da conduta dos policiais. Os treze policiais envolvidos na operação foram afastados das ruas e estão cumprindo funções administrativas
segunda-feira, 1 de março de 2010
Criança desaparece na Maré
Por Renata Souza
A menina Gizela Andrade de Jesus, de 8 anos, desapareceu na manhã de ontem (25/2) após sair, às 11h30, da Escola Municipal Bahia, que fica próxima à passarela de número sete da Avenida Brasil. Neste ano, já ocorreram pelo menos seis casos semelhantes no Rio.
De acordo com a mãe da estudante, Lenivanda de Souza, moradora do Parque Maré, o caso só foi registrado da 21ª DP (Bonsucesso) depois de muita insistência, já que o policial que a atendeu não tinha conhecimento da lei federal de 2005 que obriga a imediata investigação em caso de desaparecimento de criança e adolescente.
“A gente teve que ficar argumentando, insistindo, o policial nem conhecia a lei. Ele queria que a gente esperasse 24 horas”, afirmou Lenivanda, que retornou à 21ª DP na tarde de hoje (26/2) para prestar depoimento que dará subsídios ao início da investigação.
O SOS Crianças Desaparecidas e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj acompanham o caso, assim como o Movimento Helaiz, de mães em luta contra o sequestro e desaparecimento de crianças.
A mãe, que está grávida de nove meses, apela para a pessoa que souber de algo sobre o desaparecimento de Gizela ligue para o telefone do SOS Crianças Desaparecidas 2286-8337.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Anjo suburbano da Maré

Maré
Tua lágrima
Sem rosto definido
O silencio
De uma bala perdida
- Perdida?-
O ruído
Da impunidade
No teu ouvido
Maré
Fluxo e refluxo
De corações partidos
Maré
Um anjo suburbano
Posou nas tuas ladeiras
Dolorido
Suas asas
Não puderam
Conter a dor
De tantos corações
Destruídos
Voou com um recado
Para quem for
Que esteja olhando
Lá de cima :
“Queremos apenas um pouco
De justiça”
Já perto do Cristo
De cimento e pedra
Ainda viu entre nuvens
O Viaduto
A Avenida Brasil
O que restou das palafitas
E as mães
dos mortos e desaparecidos
acenando com um imenso
punho erguido
Ainda perguntou-se
Se O outro
O verdadeiro
-aquele que não vemos
Mas que dizem que vê tudo –
Não seria também
De material tão duro
Até hoje
Nem um milagre sequer
Para aliviar a dor
Do povo humilde
Da Maré
Maré
Fluxo e refluxo
De corpos partidos
Maré
Tua lágrima
Sem rosto definido
O silencio
De um Estado perdido
O Auto da resistência
No teu ouvido.
Carlos Pronzato
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Diversão sem alienação
Por Viviane Oliveira
Com sambas motivados principalmente pelas dificuldades enfrentadas pelos moradores, integrantes do bloco carnavalesco "Se Benze que Dá", fazem pelas ruas das diversas comunidades da Maré um carnaval diferente.
O primeiro enredo, criado em 2005, falava da difícil missão de circulação das pessoas devido aos problemas de violência, em 2008, no auge da epidemia de dengue no Rio, eles preparam um desfile especial. Usando chapéus que lembravam mosquitos e com muito samba no pé, os foliões desfilaram pelas ruas distribuindo panfletos explicativos e protestaram contra o descaso das autoridades.
“O bloco Se Benze que Dá, a cada ano que passa fala mais sobre a Maré, sua história , sua problemática e alegria de viver do seu povo. Mas o que distingue principalmente o nosso bloco dos outros é sua veia contestatória e crítica sobre os aspectos que inteferem na realidade social. Cobrar o direito de ir e vir do morador da favela e de todos os outros da cidade”, diz Leonardo Melo, compositor e membro da comissão de comunicação do bloco.
Para o integrante da bateria Diogo Bezerra, 26 anos, morador da Vila dos Pinheiros esse é o principal diferencial do bloco.
“O Se Benze que Dá não quer apenas fazer carnaval. Ele é uma ferramenta de luta política para os moradores que pode ser potencializada ainda mais.”
Além de desfilar pelas ruas da Maré durante o carnaval, o bloco participa ativamente de manifestações organizadas por moradores e movimentos sociais tais como o “Grito dos Excluídos” e o ato “Outra Maré é Possível”, uma caminhada pela valorização da vida e o fim da violência na região.
Integrante desde o último carnaval Diogo diz que durante os desfiles, que acontecem um sábado antes e outro depois do carnaval, o que mais lhe chama atenção é o comportamento dos moradores.
“Foi uma experiência muito diferente. As pessoas que acompanham os desfiles trazem com elas uma essência diferente. Sinto isso principalmente das pessoas mais velhas”.
Já para mestra de bateria do “Se Benze que dá” Geandra Nobre, 26 anos, moradora do Morro do Timbau e uma das fundadoras do bloco o que mais chama sua atenção é o fato das pessoas não atravessarem as fronteiras que dividem as comunidades.
“Quando saímos do Morro do Timbau e chegamos à Praça do 18, local que divide as favelas que são controladas por facções rivais, as pessoas não prosseguem. Daí quem passa a nos acompanhar são os outros moradores”.
Poucas opções de diversão
Composta por 16 comunidades e quase 200 mil habitantes, na Maré não existem muitas opções de divertimento principalmente durante o carnaval. O grupo que fundou há cinco anos, sentia muita falta do carnaval de rua, que em outros tempos já foi bem mais ativo e espontâneo. O “Se Benze que Dá” veio como uma alternativa interessante aos moradores permitindo que os foliões que curtiam o carnaval fora de suas comunidades e até os que não curtiam tivessem uma experiência de contato com a realidade social do bairro.
Moradora da Vila do João há 27 anos Eloiza Oliveira, comerciante, 49 anos concorda que faltam opções de divertimento na região.
“Atualmente não temos quase nada durante o carnaval a não ser os blocos, que também não são muitos. Só conheço o ‘Se Benze que Dá’ e o ‘Gargalo da Vila’. Eles animam a comunidade, então quando passam pela rua eu vou atrás. Até os mais tímidos se manifestam, aparecem nas janelas e batem palmas para os foliões. Tem gente que acompanha até sem dançar” diz.
A historiadora e componente da bateria Guaraciara Gonçalves, 31 anos, moradora do Morro do Timbau, divide a mesma opinião.
“As manifestações que acontecem aqui acabam sendo muito de improviso. Na Zona Sul os blocos tem apoio da prefeitura, já aqui não temos nada disso. Diante dessa falta de opções o bloco acaba sendo não somente um espaço para se brincar o carnaval, mas também para se levantar questionamentos relacionados à saúde, violência e até sobre essa falta de investimentos das autoridades na nossa região”.
Mas não são somente os moradores da Maré os atraídos para essa folia consciente. A cientista social Juliana Farias, 27 anos, moradora de Botafogo conheceu o “Se Benze” em 2007 por meio das atuações nos movimentos sociais e em 2009 passou a fazer parte da bateria.
“Eu já tocava tamborim e quando resolvi entrar para o bloco foi porque posso unir o que gosto de fazer que é tocar com uma causa que eu acredito. É uma forma de militar e me divertir. As pessoas aqui não estão somente interessadas em fazer um som”, diz
Ao contrário do que acontece nas grandes escolas de samba, o pré-requisito para participação na bateria do bloco não é saber tocar qualquer instrumento com perfeição, mas sim querer participar. Para os organizadores o importante e fortalecer a luta popular por um mundo diferente.
A estudante e atriz Jaqueline Andrade, 23 anos, moradora da Nova Holanda gosta muito dessa característica informal do bloco.
“As pessoas erram ao tocar e se divertem. Lá não existe uma rigidez. A diversão consciente é o que vale”.
O amuleto do bloco
Quem já acompanhou algum desfile do “Se Benze que Dá” sabe que a Arruda é um elemento que não pode faltar. Os integrantes há utilizam como uma espécie de amuleto para proteger os foliões já que o percurso inclui áreas de fronteira que sofrem com confronto entre facções armadas e polícia. Não é fácil determinar quando surgiu a fama da erva protetora, mas ela é usada nessa grande brincadeira. Além da planta, outros elementos também marcam a passagem do bloco pelas ruas e vielas da Maré. O bordão “Vem pra rua morador” não pode faltar.
“Quando o caveirão entra na favela costuma gritar pelo seu auto-falante a frase ‘Sai da rua morador’ então em um dos desfiles um integrante fez o contrário e disse ‘Vem pra rua morador’ que é o que o bloco quer. Queremos os moradores nas ruas reivindicando o seu direito de ir e vir” diz Francisco Valdean, 28 anos, Morador da Baixa do Sapateiro e integrante da bateria.
Além da arruda como proteção e o bordão para atrair os moradores o “Se Benze que Dá” também tem um lema: “Diversão sem alienação”.
“O carnaval para nós, assim como para a maioria das pessoas,significa diversão. No entanto,não uma diversão qualquer preço. Embora seja tempo de festa, não podemos esquecer toda a complexidade da realidade social: violência, fome, falhas graves nos sistemas de saúde, educação. Por isso esse é o nosso lema”, explica Leonardo Melo.
Os desfiles do "Se Benze que Dá!" vão acontecer nos dias 06 e 20 de fevereiro. No primeiro dia, a concentração está marcada para às 15h 30 no Largo do IV Centenário, Morro do Timbau. Já para o segundo dia, os foliões vão se encontrar na esquina da Rua João de Magalhães com Guilherme Maxwell, próximo à garagem da Expresso Brasileiro, na altura da passarela 7 da Av. Brasil às 15h 30.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Viva Favela seleciona correspondentes

O site Viva Favela seleciona jornalistas e estudantes de comunicação de todo o Brasil para atuarem como freelancer em projeto de Jornalismo Cidadão voltado para favelas, periferias e regiões de baixa renda. As vagas são para produzir reportagens em Texto, Vídeo e Áudio. Os escolhidos produzirão informações relacionadas ao cotidiano das comunidades. Os pré-requisitos são morar em comunidade de baixa renda e ter acesso a internet, já que todo o processo será feito online. O candidato deve enviar currículo para selecaovivafavela@gmail.com com as áreas de interesse (Vídeo, Texto ou Áudio) especificadas no campo "Assunto" e anexar um exemplo do seu trabalho até o dia 26 fevereiro.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Mães protestam contra violência de agentes do Degase
Familiares de vítimas de violência se reuniram no último sábado (16) para lembrar a morte de Andreu Luis, morto em janeiro de 2008 em uma unidade de internação de adolescentes infratores do estado do Rio de Janeiro
Por Gustavo Mehl
No dia 31 de dezembro de 2007, Deize da Silva de Carvalho estava reunida com a família na casa de sua mãe no morro do Cantagalo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Faltavam apenas dez minutos para a meia noite quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, o policial informou que o jovem Andreu Luis da Silva de Carvalho, de 17 anos, havia sido detido por furto e estava sendo encaminhado para uma unidade estadual para adolescentes infratores. Aquela era a última notícia que Deize teria de seu filho ainda com vida.
Na manhã do dia 1º de janeiro de 2008, pelo menos 11 jovens testemunharam a sessão de tortura a que Andreu foi submetido no Centro de Triagem e Recepção (CTR), na Ilha do Governador, instalação do Departamento Geral de Ações Socioeducativas do estado do Rio de Janeiro (Degase). O garoto foi espancado por cerca de uma hora e meia. Os agentes usaram pedaços de pau, mesas e cadeiras, e o asfixiaram com um saco plástico. Quando o rapaz já cuspia sangue, o agente Wilson Santos chegou a esfregar sabão em pó no seu rosto repetidas vezes. Andreu, que havia acabado de receber seu primeiro salário como garçom e estava com o noivado marcado para o dia 20 daquele mês, morreu por volta de 9 horas da manhã do primeiro dia do ano de 2008.
Do sofrimento à militância
Aquele era o início de um ano de muita dor para toda a família de Deize. Hoje, dois anos depois, o sentimento de injustiça persiste. O caso se arrasta e continua em fase de inquérito policial. Nenhum dos envolvidos foi responsabilizado, e todos continuam empregados pelo Degase, trabalhando normalmente no CTR. Outras denúncias de maus-tratos e abusos na unidade se tornaram públicas. Apesar disso, durante esses dois anos Deize conseguiu encontrar na revolta uma razão para lutar. Procurou organizações da sociedade civil e a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ e conheceu nesse caminho outros casos de assassinatos praticados por agentes do Estado. Através da troca de experiências e da união de forças com outras mães e outros familiares de vítimas de violência, Deize foi fortalecendo sua resistência e amadurecendo a sua militância.
No último sábado, 16 de janeiro, dia de visitas, Deize Silva de Carvalho reuniu cerca de 60 pessoas na entrada do CTR. Com um carro de som, faixas, panfletos e cruzes de madeira, o grupo recordou a morte de Andreu e de outras vítimas do Estado. “Nós estamos aqui para que certos agentes do Degase saibam que a família do menino que eles mataram continua lutando e não perdeu a esperança na justiça”, dizia, emocionada, a mãe de Andreu ao microfone, olhando para as pessoas em pé na fila da visita, mas falando alto para ser ouvida do outro lado do muro. “Estamos aqui porque eu não quero que nenhuma mãe passe pelo que eu passei.”
Diante da presença incômoda dos manifestantes, funcionários do Degase liberaram a entrada dos familiares duas horas mais cedo que de costume, mas não evitaram que alguns parentes que estavam na fila se aproximassem do grupo. “Meu filho apareceu com o dente quebrado na semana passada, mas não quis me dizer o que aconteceu”, disse uma senhora, levantando a hipótese de que o garoto tivesse sido agredido e que estivesse sendo ameaçado. “A gente sabe que essas coisas acontecem, mas fica com medo de nosso filho sofrer represálias se tomarmos alguma providência.” Para Deize, uma das principais razões para a manifestação era justamente orientar os parentes dos adolescentes internados sobre como denunciar indícios de tortura ou qualquer tipo de abuso dentro das unidades do Degase.
Mães se unem contra a violência
Entre os manifestantes, a consciência de que o assassinato de Andreu é mais um entre diversos casos de violência que envolvem agentes públicos no Rio de Janeiro. Outras mães estavam presentes no ato deste sábado, entre elas Marcia Jacintho, mãe do menino Hanry, morto por policiais no bairro do Lins em 2002. “Temos todas um sofrimento comum. Nossos filhos estão sendo barbaramente assassinados por representantes do Estado sem que nada tenha sido feito pelas autoridades para evitar novos casos”, disse Márcia, que completou: “O governo do estado se comporta como o ‘exterminador de futuros’ quando executa os jovens negros e pobres do Rio de Janeiro. Esta realidade se repete em outros estados. É preciso estarmos unidas nesta luta.”
Outra que integrava o grupo na porta do CTR era Bernadete, mãe do garoto Cristiano de Souza, que também foi assassinado por agentes do Degase em novembro de 2008. Seu filho foi espancado e morto quando estava internado no Educandário Santo Expedito, que funciona no complexo penitenciário de Bangu, nas instalações do antigo presídio Muniz Sodré. O caso evidenciou que os maus-tratos são comuns em unidades do Degase e foi o estopim para que a organização de defesa dos direitos humanos Projeto Legal iniciasse uma campanha de cartas para o fechamento do Santo Expedito. Um dos panfletos distribuídos em frente ao CTR era justamente a convocação para participar da campanha. “Guantánamo vai fechar. Santo Expedito continua aberto”, dizia o texto, em uma referência ao presídio norteamericano localizado em Cuba, que se tornou símbolo de torturas e violações de direitos humanos.
–> Participe da campanha pelo fechamento do Santo Expedito
Ao fim do ato, Lindomar Darós, integrante do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, resumiu o sentimento dos manifestantes: “Nossa defesa é pelo direito à vida, sempre. Nenhum ser humano pode atentar contra a vida de outro e a situação é ainda mais grave e perigosa quando quem o faz é um representante do Estado”.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
NOTA PÚBLICA Em solidariedade ao povo da Maré
Na madrugada do dia 30 de maio de 2009, um grupo de traficantes da Baixa do Sapateiro iniciou a tentativa de tomar os pontos de vendas de drogas controlados por outra facção criminosa em uma comunidade vizinha, a Vila dos Pinheiros.. Oito escolas e cinco creches ficaram fechadas por mais de uma semana, deixando cerca de 10 mil alunos sem aula. Desde então, moradores do conjunto de favelas da Maré vivem uma rotina de extrema violência que é muito pouco divulgada nos meios de comunicação. As autoridades, por sua vez, permanecem com uma postura que é de descaso e, diante do apoio de agentes do Estado nas ações criminosas, também de conivência.
Os confrontos armados são diários. O movimento do comércio é constantemente interrompido e há diversos relatos de casas invadidas, quedas de luz, além de um altíssimo número de mortos e feridos. Nos primeiros quinze dias de conflitos na Maré, em junho, quando a imprensa chegou a dar algum espaço para a situação vivida pelas comunidades, 19 mortes foram noticiadas. No entanto, um levantamento entre moradores aponta para mais de 50 mortes desde o início dos confrontos, há quase quatro meses. Segundo F.S.C., moradora do Morro do Timbau, as pessoas têm medo de sair de suas casas “Passei uma semana sem poder ver meus pais, que moram na Vila do João. Minha mãe já ficou vários dias sem sair para trabalhar e às vezes tem que voltar no meio do caminho, pois os tiroteios recomeçam e ela fica exposta".
Um dos mais graves relatos aponta que policiais teriam participado da invasão à Vila dos Pinheiros. Moradores afirmam que três veículos blindados da Polícia Militar – os chamados caveirões – foram ‘alugados’ para traficantes de uma das facções envolvidas. Na Maré, esta é uma informação naturalizada.. “Todo mundo aqui sabe disso. Várias pessoas viram”, afirma R.A., morador do Conjunto Esperança.
A denúncia do aluguel de caveirões chegou até as autoridades e foi noticiada por um grande jornal do Rio de Janeiro, mas não foi suficiente para iniciar um debate amplo sobre a situação de extrema violência na Maré e sobre a responsabilidade do governo. Pelo contrário assim que a notícia veio a público, a Secretaria de Segurança se apressou em desqualificá-la, em contradição evidente com falas anteriores do secretário José Mariano Beltrame, que por diversas vezes já havia ressaltado a importância de denúncias anônimas para as investigações policiais. Nem mesmo o novo comandante da Polícia Militar, Mario Sergio Duarte, que já esteve à frente do 22º Batalhão, arriscou um pronunciamento responsável.
A reação da cúpula da segurança do estado - negando os fatos antes de investigá-los - reflete a tônica deste governo descaso com os relatos dos moradores das comunidades pobres e acobertamento de ações criminosas praticadas pela corporação policial. O silêncio do governador Sérgio Cabral é, indiscutivelmente, um reflexo dessa indiferença com que os governantes tratam os bairros pobres do Rio de Janeiro, mas pode esconder também uma estratégia perversa a do “quanto pior, melhor”. Depois de meses de ausência deliberada, não seria surpresa se o Estado aparecesse na Maré vendendo como “solução” a realização de mais uma mega-operação policial – como a do Complexo do Alemão, que em 2007 levou o terror às comunidades e resultou na chacina de 19 pessoas em apenas um dia.
Em menos de quatro meses, entre maio e agosto daquele ano, foram registrados pelo menos 44 mortos e 81 feridos durante as incursões policiais no Alemão. Escolas e creches também foram fechadas, e os moradores ficaram sem poder sair de casa. Constata-se objetivamente que o efeito prático das ações policiais violentas do atual governo do Rio de Janeiro é o mesmo dos tiroteios entre traficantes o desrespeito à vida e à liberdade do povo das favelas.
No último dia 12 de julho, o jornal O Globo publicou a matéria “Covil do Tráfico”, em que a cúpula da segurança do estado, ao apontar o Alemão como reduto importante do tráfico de drogas, reconhece a completa ineficácia da ação de dois anos atrás. No entanto, as autoridades prometem repetir as mega-operações policiais, até mesmo como pré-requisito para a implantação de um modelo que vem sendo vendido como novo paradigma na política de segurança do Rio de Janeiro e que ganha contornos eleitoreiros a chamada política “de pacificação”.
Ao contrário do que é pintado no discurso oficial, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não rompem com a lógica das políticas de segurança que vêm sendo implementadas seguidamente pelos últimos governos. São diversos os casos documentados de agressão física e de abuso de autoridade envolvendo agentes das UPPs. Além disso, com base em conceitos higienistas e de superioridade de classe, proíbe-se arbitrariamente certas formas de organização social e cultural construídas historicamente nas favelas. Ou seja, a atuação da polícia permanece estruturada em uma relação tensa de controle e confronto com a população negra e pobre, com a restrição de liberdades e a imposição de uma autoridade baseada na coerção de suas armas. De fato, as diversas formas de violência policial são consequência da secular orientação ao militarismo e à brutalidade dentro de comunidades pobres.
Nos últimos anos, o Estado vem seguidamente realizando ações policiais violentas e desastrosas na Maré. Foram muitos casos emblemáticos, mas apenas alguns poucos se tornaram públicos. Em dezembro de 2008, o pequeno Matheus Rodrigues, de oito anos, morreu na porta da casa de sua mãe quando saía de casa para comprar pão e foi atingido no rosto por um tiro de fuzil disparado por policiais. Menos de cinco meses depois, em abril deste ano, o jovem Felipe Correia, de 17 anos, conversava com amigos há cerca de dez metros da casa de sua família. Quatro policiais militares sem uniforme dispararam apenas um tiro de fuzil, que acertou a cabeça do rapaz. Os dois crimes envolvem policiais do 22º Batalhão, o mesmo que é acusado de alugar o caveirão.
Casos como esses trazem a certeza de que o caminho para o fim do sofrimento dos moradores não pode, sob nenhuma hipótese, passar por operações policiais violentas. No último domingo, dia 20, um ato contra a violência reuniu 600 pessoas e percorreu as comunidades da Maré afetadas diretamente com os confrontos dos últimos meses. A manifestação, não à toa, foi realizada no dia em que o menino Matheus e o jovem Felipe fariam aniversário.
As organizações e indivíduos abaixo-assinados se somam em solidariedade ao povo da Maré e reafirmam, categoricamente, que não aceitam mais uma política de segurança que encare a favela como território inimigo e que obedeça a uma lógica de exclusão, em que se governa apenas para alguns e se reserva a outros a violência da repressão, do controle e, frequentemente, do extermínio.
JUSTIÇA GLOBAL
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Site do Filme: http://www.lutocomomae.com/
domingo, 20 de setembro de 2009
Caminhada pela paz reune cerca de 600 pessoas na Maré

Mais de 600 pessoas participaram nesta manhã de domingo (20/9), a partir das 8h, do ato Outra Maré é possível — Pela valorização da vida e o fim da violência. Moradores e militantes de organizações de Direitos Humanos, da igreja e entidades de dentro e de fora da comunidade organizaram o ato em reação à violência que tem provocado, sistematicamente, mortes na Maré, tanto em confrontos policiais como em conflitos entre traficantes de drogas.
Uma cerimônia religiosa deu início ao ato na Igreja São José Operário, na Vila dos Pinheiros, de onde os manifestantes partiram em caminhada pela Maré. O percurso incluiu as principais ruas das favelas Vila dos Pinheiros, Vila do João, Conjunto Esperança e Salsa e Merengue — que, há quatro meses, sofrem diretamente com a disputa de território entre facções rivais.
Com um carro de som e a percussão do bloco Se benze que dá, a caminhada — com bandeiras de vários países simbolizando a união dos povos — durou duas horas. No auto-falante, músicas religiosas se misturaram a palavras de ordem e a sambas, todos com letras de valorização da paz e da vida. Houve ainda atividades de arte para as crianças, que produziram faixas pedindo o fim da violência.
“É muito importante esse tipo de manifestação. Tinha que ter muito mais, uma vez por mês pelo menos seria bom, mas para mudar as coisas tinha que ter mais investimento em educação e saúde”, disse o vendedor Wesckley, de 27 anos, morador do Conjunto Esperança.
Buracos de balas nas paredes e cápsulas pelo chão eram os sinais concretos da violência observados durante todo o percurso. O último tiroteio ocorreu na tarde do sábado (19/9). Mas os conflitos se tornaram rotina diária a partir de maio, com dezenas de mortes, embora sem qualquer visibilidade pública ou posicionamento das autoridades. “A situação na Maré é dramática e a repercussão na sociedade é mínima. A grande mídia não reporta o que acontece. Tinham que estar aqui todos os deputados estaduais, federais e os vereadores, pois essa situação é de calamidade pública. O pobre não tem respeitado o seu direito à paz, tem que se mobilizar para conquistá-la”, disse o deputado federal Chico Alencar (PSOL).
Esta reportagem é uma produção coletiva de comunicadores populares da Maré
sábado, 19 de setembro de 2009
A luta pela terra continua na Baixada Fluminense

Trabalhadores são despejados de acampamento em Paracambi (RJ), mas continuam mobilizados. Laudo do INCRA confirma que fazenda é improdutiva.
Por Gustavo Mehl (Justiça Global)
Fotos de Fabio Caffe (Agência Imagens do Povo)
Do alto de um pequeno monte no município de Paracambi, na Baixada Fluminense, é possível avistar um extenso pedaço de terra sem plantação, animal ou vegetação nativa. São muitos quilômetros quadrados de mato. Entre os morros comidos pela erosão, um bambuzal se destaca. Dali, no dia 16 de agosto do corrente ano, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) retiraram a matéria-prima para levantar o acampamento Marli Pereira da Silva. Logo começaram a surgir as primeiras mudas de feijão e aipim, plantadas pelas cerca de 150 famílias de trabalhadores rurais acampadas. Nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, a pequena lavoura teve que ser abandonada. Representantes do proprietário da fazenda Rio Novo chegaram ao local acompanhados de policiais e de oficiais de justiça que traziam uma ordem de reintegração de posse expedida pela juíza Regina Coeli Formisano, da 6ª Vara Federal.
A negociação para a desocupação da área começou por volta de 7h30. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) intermediou as conversas, que foram tensas. Os representantes do fazendeiro não aceitaram a proposta dos trabalhadores, que tentaram negociar um prazo para a saída. "Não tínhamos para onde ir e pedimos uma semana para encontrar um lugar que garantisse as mínimas condições aos idosos e às crianças, mas os representantes do proprietário foram intransigentes" , disse Elisangela Carvalho, integrante do MST e coordenadora do acampamento.
Por volta de 13h, os barracos de bambu e lona preta começaram a ser desarmados. Os poucos pertences dos trabalhadores foram retirados. No fim da tarde, um grupo organizado pelo proprietário entrou com tratores para limpar o terreno que havia sido desocupado e houve discussão quando os homens incendiaram os bambus dos trabalhadores que estavam do lado de fora. Já anoitecia quando as famílias se instalaram na beira da estrada, em um barracão coletivo que foi construído às pressas, à margem da propriedade.
O despejo sem um prazo adicional para a reorganização do acampamento gerou uma situação delicada. As crianças não puderam ir à escola, as pessoas não têm onde tomar banho e a água potável está acabando. "Vamos construindo a infra-estrutura aos poucos, na medida do possível. O maior problema é mesmo a falta d'água, mas exigimos da prefeitura de Paracambi uma solução, uma vez que é um direito nosso", disse Elisangela. "O importante é não enfraquecer a mobilização, mas esse povo de luta não se cansa fácil."
INCRA: "GRANDE PROPRIEDADE IMPRODUTIVA"
A Fazenda Rio Novo tem mais de 696,6 hectares, o que equivale a cerca de 700 campos de futebol com dimensão oficial.... Em 2007, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) vistoriou a área e atestou que a terra era improdutiva. O laudo expedido após a vistoria foi o que incentivou os trabalhadores a ocuparem a terra como forma de pressionar o Governo Federal e a Justiça para a desapropriação da fazenda. Durante a negociação do despejo desta quinta-feira, o advogado do proprietário insistiu que os trabalhadores estariam sendo enganados por representantes do INCRA e que o laudo era inválido. O advogado chegou a afirmar que o documento só existia porque o fazendeiro se negou a dar propina a fiscais do INCRA.
A afirmação gerou confusão. O representante do proprietário não sabia que Pablo Alves Pontes, Chefe do Serviço de Meio Ambiente e Recursos Naturais do INCRA, estava presente. "Ele vai ter que provar o que está falando. Isso é um desrespeito com um servidor público", disse Pontes, que completou dizendo que o processo de desapropriação da área é válido e no momento se encontra na Diretoria de Obtenção de Terras e Implantação de Projetos de Assentamento do INCRA, em Brasília. "É um processo público, qualquer pessoa que for à sede do INCRA terá acesso aos autos."
Pontes explicou que a fazenda Rio Novo ainda não foi desapropriada em função de um mandado de segurança pedido pelo proprietário da área, mas deixou claro: "Administrativament e, a questão da produtividade está encerrada: o imóvel é improdutivo, ao menos que o proprietário consiga trazer aos autos provas que mostrem um erro grave no processo." Para Elisangela, o trâmite em Brasília está demorando mais do que deveria: "Por um lado,os órgãos do Governo - inclusive o INCRA - atuam sem agilidade e compromisso; por outro, a Justiça brasileira muitas vezes parece trabalhar na defesa explícita dos latifundiários" .
Elisangela comentou que a improdutividade da fazenda é tão evidente que mesmo uma pessoa sem um conhecimento específico pode constatar a improdutividade da propriedade. O representante do INCRA ressaltou que todo o procedimento técnico e jurídico foi cumprido, e concordou que o cenário que se avistava do alto do acampamento Marli Pereira da Silva já denunciava a improdutividade da fazenda. "Tudo isso é pasto 'sujo' e os morros estão marcados por processos erosivos. Isto indica que o solo foi explorado de forma errada e depois abandonado, violando, inclusive, a legislação ambiental."
A REFORMA AGRÁRIA NA BAIXADA
A Baixada Fluminense já teve um papel de protagonismo na luta pela reforma agrária e contra o latifúndio no Brasil. Na década de 1980, fazendas improdutivas foram desapropriadas em municípios como Nova Iguaçu e Queimados. Os pais de Elisangela participaram do acampamento Campo Alegre, que em 1984 resultou no assentamento de 600 famílias em Nova Iguaçu. "As pessoas têm que entender que a ocupação destas terras paradas por trabalhadores dispostos a produzir vai contribuir com o desenvolvimento e a qualidade de vida no município de Paracambi e em toda a região", disse. "Estamos voltando a nos fortalecer. Esse resgate da luta pela terra na Baixada é fundamental. "
Fotos: http://www.flickr. com/photos/ fabiocaffe
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domingo, 13 de setembro de 2009
OUTRA MARÉ É POSSÍVEL:
PELA VALORIZAÇÃO DA VIDA E O FIM DA VIOLÊNCIA.
No domingo, 20 DE SETEMBRO, haverá um ato organizado por moradores, associações, igrejas e organizações de dentro e de fora da Maré. Em um momento em que se tornou impossível conviver com os constantes conflitos, cabe a nós, os moradores da Maré, declarar nosso luto e clamar pela paz. Não aguentamos mais a violência e queremos exigir o fim dos confrontos armados que nos tiram a liberdade e a vida.
Realizar um ato público na Maré significa deixar claro que, nós moradores, não aceitamos que vidas sejam interrompidas, como em junho deste ano, quando dezenas de pessoas foram assassinadas na comunidade, sem contar os feridos. De lá para cá, o número de vítimas só aumenta. A imprensa não noticia. Os governantes ignoram. Quando fazem algo, apenas repetem a ação repressora que costumam utilizar nos espaços populares, gerando mais violência. Entendemos que as ações do Estado não podem ser as mesmas que vêm ocorrendo historicamente nas favelas. Sendo assim, queremos a partir desse ato criar um movimento que luta por outra segurança pública como direito dos moradores da Maré e de todos os espaços populares.
Se para muitos a vida por aqui vale pouco, para nós, moradores, ela é sagrada e deve ser valorizada, sempre.. Em memória de todas as vítimas da violência, nos uniremos para defender a vida e pedir a paz nas 16 comunidades da Maré.
NÃO QUEREMOS NOSSAS ESCOLAS VAZIAS!
NÃO QUEREMOS NOSSAS CASAS INVADIDAS!
NÃO QUEREMOS NOSSA COMUNIDADE ÁS ESCURAS!
QUEREMOS NOSSAS CRIANÇAS BRINCANDO NAS RUAS E NAS ESCOLAS!
QUEREMOS A LIBERDADE DE PODER CHEGAR E SAIR DE CASA A QUALQUER HORA!
NÃO QUEREMOS NENHUM TIPO DE VIOLÊNCIA!
NÃO QUEREMOS MAIS CORPOS NO ASFALTO!
QUEREMOS A VIDA DO POVO DA MARÉ RESPEITADA ANTES DE TUDO!
Foto: Vânia Bento
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Faz o movimento!
E ainda tem gente que vem dizer que não é cultura!!...
Exposição de Latuff na Palestina
Há anos, Latuff também dedica seu trabalho à causa dos palestinos que lutam por sua soberania. Em novembro de 2006, uma exposição na Palestina - organizada pelo povo de lá, para o povo de lá - reuniu alguns desenhos de Latuff. As fotos abaixo estão postadas na revista eletrônica www.novae.inf.br, um espaço que parece ser bem legal.
Bonito ver o trabalho artístico servindo como denúncia e como motor do processo de resistência.
Tudo que lá dentro eu aprendi,
Vou levar comigo a onde eu for,
Vou na humildade procurando ser feliz
Mesmo com tanta dificuldade
Tantos preconceitos que eu já sofri
Só quero cantar a liberdade
Esse é o trabalho do MC
Levar a voz das comunidades
Aonde o nosso Funk atingir
Pois o favelado de verdade
Vai ser favelado mesmo se sair dali.
Por isso...Sou favela
Eu fuiE sempre serei favela
Sei que na favela a chapa é quente
Pois lá já perdi vários irmãos
Por isso o nosso papo é diferente
Sem apologia a crime, droga ou facção
Pregamos a união das favelas
Sabemos a força que todas elas juntas têm
Por isso que vou em todas elas
Vou sem simpatia sem descriminar ninguém
E são tantas as comunidades
Pena não ter tempo de falar todas aqui
Mas vai um abraço na humildade
De 2 favelados
Junior e Leonardo MCs
Vitória do Funk
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
GRITO DOS EXCLUÍDOS
Dia 7 de setembro às 9hs, na Av. Presidente Vargas
(concentração na esquina com a rua Uruguaiana)
O Grito dos/as Excluídos/as, em sua 15.ª edição, traz para as ruas a indignação dos trabalhadores contra os efeitos da crise econômica e as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação, por Reforma Agrária e Reforma Urbana Já, em defesa dos nossos recursos naturais (O petróleo tem que ser nosso!), contra a corrupção e a impunidade e contra a criminalização da Pobreza e dos dos movimentos sociais.
Assim, trabalhadores e trabalhadoras de todo o país pretendem anunciar, em diferentes manifestações populares, os sinais de esperança, através da unidade, da organização e da luta popular, e denunciar todas as formas de injustiça que, em nosso país, causam a destruição e a precarização da vida do povo e a destruição ambiental em todo o planeta.
Vamos fazer uma bela caminhada e no encerramento teremos apresentação de diversas manifestações culturais da classe trabalhadora.
Venha participar!
Traga sua bandeira de luta!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
"Quando matam um Sem Terra"
Quando matam um Sem Terra
Pedro Munhoz
1.Quem contar traz à memória,sabendo que a dor existe,quando a morte ainda insiste,em calar quem faz a História.Pois quem morre não tem glória,nem tampouco desespera,é um valente na guerra,tomba, em nome da vida.Da intenção ninguém duvida,quando matam um Sem Terra.
2.Foi assim nesta jornada,quando mataram mais um,o companheiro ELTON BRUM,não teve tempo pra nada.Numa arma disparada,o Estado é quem enterrae uma vida se encerra,em nome da covardia.Toda a nossa rebeldiaquando matam um Sem Terra.
3.É o desatino fardado,armado até os dentes,até esquecem que são gente,quando estão do outro lado.E vestidos de soldado,todo o sonho dilacera,violência proliferatiro certeiro, fatal.Beiram o irracional,quando matam um Sem Terra.
4.Quem és tu, torturador,que tanta dor desatas,desanima e maltratao humilde plantador?Negas a classe, traidor,do povo tudo se gera,te esqueces deveras,debaixo de um capacete.Dá a ordem o Gabinete,quando matam um Sem Terra.
5.Em algum lugar da pampa,ELTON deve de estar,tranquilo no caminhar,jeito humilde na estampa.E algum céu se descampa,coragem se retempera,outras batalhas se espera,dois projetos em disputa.Não se desiste da luta,quando matam um Sem Terra




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